4.3.10

DESAFIO AOS EDUCADORES

foto eltondaniel.files.wordpress.com/2009

Um famoso filósofo alemão do século XIX, Frederico Nietzsche, tece uma crítica radical à civilização ocidental, dizendo que ela educa os homens para desenvolverem apenas o instinto da tartaruga. O que quer dizer isso? A tartaruga é o animal que, diante do perigo, da surpresa, recolhe a cabeça para dentro de sua casca. Anula, assim, todos os seus sentidos e esconde, também na casca, os membros, tentando proteger-se contra o desconhecido. Este é o instinto da tartaruga: defender-se e fechar-se ao mundo, recolher-se para dentro de si mesma e, em consequência, nada ver, nada sentir, nada ouvir, nada ameaçar.
Formar boas tartarugas parece ter sido o objetivo dos processos educacionais e políticos da educação desenvolvidos no mundo ocidental nos últimos anos. Temos educado os homens para aprenderem a se defender contra todas as ameaças externas, sendo apenas reativos.
Ensinamos o espírito da covardia e do medo.
Precisamos assumir o desafio de educar o homem para desenvolver o isntinto da águia. A águia é o animal que voa acima das montanhas, que desenvolve seus sentidos e habilidades, que aguça ouvidos, olhos e competência para ultrapasar os perigos, alcançando vôo acima deles. É capaz, também, de afiar suas garras para atacar o inimigo, no momento que julgar mais oportuno.
As nossas escolas têm procurado fazer com que nossas crianças recolham para dentro de si e percam a agressividade - o instinto próprio do homem corajoso, capaz de vencer o perigo que se lhe apresenta.
Temos criado, neste país, uma geração-tartaruga, uma geração medrosa, recolhida para dentro de si. E estamos todos impregnados por esse espírito de tartaruga. Não temos coragem para contestar nossos dirigentes, para nos opor às suas propostas e criar soluções alternativas. Agimos apenas de maneira reativa, negativa, covarde.
Temos ensinado às nossas crianças que os nossos instintos são pecaminosos. A parte mais rica do indivíduo, que é a sensibilidade - sua capacidade de amar e de odiar, sua capacidade de se relacionar de maneira erótica com o mundo -, tem sido desprezada. Temos ensinado o homem a ser obediente, servil, pacifico, incompetente e a depositar todas as suas esperanças num poder maior ou no fim das tempestades.
Quando ensinaremos aos nossos alunos que eles não precisam se esconder diante das ameaças, porque todos nós temos a capacidade de alçar vôo às alturas, ultrapassando as nuvens carregadas de tempestade e perigo? Temos ensinado às nossas crianças a se arrastar como tornam incapazes de reclamar se lhes pisam na cabeça.
O que desejamos, afinal, desenvolver em nós mesmos e nos jovens? o instinto da tartaruga ou das águias? (faça seu comentário)

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