22.8.10

Escolas usam pouco a internet

Para especialistas, professores ainda não exploram todo o potencial da rede

Adepto. Rafael estuda em uma escola atendida pelo Programa Educacional de Atenção ao Jovem e aprova o uso de blogs em oficinas temáticas
AAFOTO: ALEX DE JESUS
Adepto. Rafael estuda em uma escola atendida pelo Programa Educacional de Atenção ao Jovem e aprova o uso de blogs em oficinas temáticas

De forma tímida, algumas instituições de ensino públicas e particulares de todo o país já utilizam novas ferramentas e tecnologias em salas de aula. Porém, sem muito incentivo dos governos - preocupados, primeiramente, em equipar escolas com computadores -, sobra para os professores a missão de orientar os alunos acerca dos recursos oferecidos por blogs, sites de relacionamentos e programas de bate-papo, entre outros.

O problema é que os profissionais de educação ainda estão crus diante das novas mídias. Não há, no Brasil, um levantamento que meça o conhecimento dos professores sobre a questão, mas um estudo realizado nos Estados Unidos pela Faculty Survey of Student Engagement, no ano passado, mostrou, por exemplo, que 84% dos professores nunca usaram um blog em sala de aula.

Para especialistas, a fase de resistência dos professores já passou. Resta agora encontrar a melhor maneira de usar os recursos a favor da educação. "A maioria (dos professores) sabe que pode usar a internet, mas não tem a menor ideia de como usá-la. Sabe que existe Orkut, MSN, sites de busca, mas se perguntam: ‘o que eu faço com isso?", afirma a professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carla Viana Coscarelli.

Iniciativas. A Secretaria de Estado da Educação incentiva o uso de blogs por meio do Programa Educacional de Atenção ao Jovem (Peas Juventude). Iniciado em 2008, o projeto já integra 507 escolas de ensino médio e fundamental. Divididos em grupos temáticos, os alunos debatem determinados assuntos em sala de aula e postam suas avaliações na internet.

Na última sexta-feira, os estudantes da Escola Estadual Pedro de Alcântara Nogueira, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, participaram de uma oficina e discutiram sobre o mundo do trabalho e perspectivas de vida. "Os alunos interagem e a gente posta no blog. O legal é que outras escolas veem o que estamos fazendo", conta o estudante Rafael Anastácio Alves, 16. Entre as ferramenta, o blog é a que tem mais adeptos entre os alunos.

Na Escola Estadual Desembargador Rodrigues Campos, no bairro Barreiro de Baixo, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, o professor de português Paulo Andrade e seus alunos estão transpondo para as novas mídias os contos antes redigidos no papel. "Eu inicio as histórias, eles completam e me mandam", explica.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o Orkut virou um aliado dos alunos. Na Escola Estadual Aurélio Luiz da Costa, o site de relacionamentos - apontado como um dos vilões da internet, devido a diversas denúncias de pedofilia - tornou-se um útil espaço de compartilhamento de fotos, vídeos, exercícios, eventos e informações. "É um site que a gente acessa toda hora. Eu gosto porque a gente conversa e tira as dúvidas para as prova", destaca a estudante Alessandra Moura, 16.

Dificuldades. Por diversos motivos, o uso de novas tecnologias em salas de aula ainda sofre resistência. "O governo cria um monte de projetos. Mas não dá tempo de realizá-los, porque a gente é cobrado para dar conteúdo. Em outros casos, a escola não tem base para isso", critica o professor de história Bruno Dutra. A Escola Estadual Professora Maria Belmira Trindade, onde ele trabalha, no bairro Bom Sucesso, região do Barreiro, não tem sala de informática.

Porém, em Divinópolis, na região Centro-Oeste do Estado, estudantes da Escola Estadual Henrique Galvão mantêm um blog mesmo sem um laboratório de computação. "É um projeto feito com muito sacrifício", ressalta a professora de português Wilba Fernandes.

fonte: O Tempo

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