2.10.11

Mineiros e Cearenses lutam iguais por uma mesma causa: A Educação

O Brasil tem uma dívida muito grande com seu povo. E o pagamento é reconhecer a Educação como    solução para a maioria dos seus problemas                                                                                                              

O Estado de Minas Gerais conviveu nos últimos dias com a maior greve de sua história no setor da Educação. Foram 112 dias de sofrimento, de luta contra um governo que se mostrou totalmente indiferente, inclusive, se colocando como um “fora da lei” ao não reconhecer a obrigatoriedade de se cumprir uma Lei Federal, que é a Lei 11.738/08 que instituiu o Piso Nacional Profissional da Educação.
Como forma de burlar a referida Lei e consequentemente, prejudicar seus servidores, o mesmo quis impor goela abaixo outra forma de pagamento que ele denominou de subsídio. Nesse subsídio, se juntou todas as conquistas anteriores como quinquênios, biênios, que são gratificações adquiridas pelo tempo de serviço, além de outras gratificações que em tempos anteriores, nossos governadores preferiam conceder como um “penduricalho”, ao invés de aumentar o salário base, que por sinal, é o verdadeiro salário do servidor.
Quando as paralisações aumentavam a cada dia mais, contrariando as expectativas do Governo, e os 100 dias de greve se aproximavam, eis que o Anastasia convoca uma entrevista coletiva na qual os repórteres não podiam fazer perguntas, só ele falou.
Quando todos imaginavam que o dito cujo iria dar uma solução para o impasse, ele surpreende a todos, ao anunciar um plano mirabolante que extinguia o atual plano de carreiras do magistério, propondo um pagamento proporcional do piso nacional de R$712,00 para todos os servidores, tanto para os que possuíam apenas o Ensino Médio, assim como para os detentores de licenciatura plena, com pós-graduação, mestrado e até mesmo doutorado.
Durante todo esse martírio se viu de tudo:
*Ministério Público agindo como interlocutor do Governo e quase que forçando a categoria a aceitar a proposta indecente do governador;
*Imprensa omissa (exceto o Jornal o Tempo que ainda com algumas ressalvas, cobriu com dignidade todo o processo. A Rede Record de Televisão, também nos últimos dias, deu mostras de estava quebrando a censura instalada em Minas);
*Deputados abordando possíveis espiões na porta do Sind-Ute, o Sindicato dos Professores, ter de ouvir do Comandante da Polícia Militar um “não”, a ter solicitado uma viatura da corporação para elaborar um Boletim de Ocorrência;
*Professores acorrentados em praça pública em protesto;
*Truculência policial, contra manifestantes, por ocasião da inauguração do relógio que marca o tempo que falta para o início da Copa do Mundo;
*Ocupação da Assembleia Legislativa;
*Paralisação das atividades da Assembleia Legislativa por um dia;
*Greve de fome;
*Corte de água e fechamento dos banheiros da Assembleia Legislativa no final de semana em que ali se encontravam um casal de professores (Abdon e Marilda) em greve de fome com a companhia de outros colegas;
*Corte de pagamento desde 08 de junho, ocasião que se iniciou a greve.
Mas, uma batalha que pouco se fala, é a batalha que estes bravos heróis enfrentam contra seus próprios colegas. Enquanto uns abnegados Servidores, já cansados, até mesmo enfrentando doenças, saem às ruas, sacrificam seus familiares, enfrentam cavalos, cães, gases lacrimogêneo e gases de pimenta, se sujeitam à humilhação pública, outros sem o menor gesto de grandeza, de nobreza ou sei lá de que, permanecem em seus postos de serviço sem alunos, assinando ponto e recebendo normalmente seus vencimentos.
Desde o dia 29 de setembro, a greve foi paralisada. Pois negociações estão sendo realizadas como parte de um acordo entre Grevistas e Governo, com uma nova Assembleia marcada para o próximo dia 08 em Belo Horizonte. Enquanto isso, os trabalhos vão sendo desenvolvidos normalmente em todo o Estado. Nas escolas, pode-se observar que o relacionamento entre os colegas já não é e não deverá mais ser o mesmo, uma vez que, aqueles que se acovardaram ao se protegerem nos pilares da maldade e da injustiça proferida por esse des-governo não estão tendo ambiente para encarar os bravos colegas combatentes que num momento semelhante a uma guerra, encontra-se num período de trégua.
Estamos solidários aos colegas cearenses, que assim como nós, buscam a compreensão da sociedade, e o cumprimento das Leis, não somente a Lei 11.738/2008.

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