16.2.12

Policiais recebem orientações para "maquiarem" as ocorrências em Minas


Ocorrências são manipuladas
Em vez de homicídio, encontro de cadáver. No lugar de tentativa de homicídio, lesão corporal ou disparo em via pública. É dessa forma, de acordo com entidades de classe e especialistas em segurança pública, que policiais militares estão sendo pressionados a preencher boletins de ocorrência, maquiando os fatos. O objetivo seria baixar os índices de criminalidade no Estado.

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) desmente as denúncias. Ontem, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa discutiu as adulterações e aprovou requerimento para que o assunto seja abordado em uma audiência pública conjunta com a Comissão de Segurança Pública.

"Os militares sofrem assédio moral há pelo menos três anos", afirma o coordenador de cidadania e direitos humanos da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares (Aspra-MG), Luiz Gonzaga Ribeiro. Segundo ele, a exigência para falsificar os boletins está criando "uma guerra" entre os níveis de comando da PM. "É a política de resultados a qualquer custo", denuncia.

A Polícia Civil também tem sido coagida a contribuir para o "clima de aparente tranquilidade" no Estado, diz o ex-presidente da Associação dos Delegados de Minas Gerais Francisco Rabelo, 67, que se aposentou em outubro. "Quem dá alguma entrevista que desagrada ao governo é repreendido".
Fonte: O Tempo

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