30.4.12

Um em cada quatro professores da educação básica não tem diploma de ensino superior


Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Aproximidamente 25% dos professores que trabalham nas escolas de educação básica do país não têm diploma de ensino superior. Eles cursaram apenas até o ensino médio ou o antigo curso normal. Os dados são do Censo Escolar de 2011, divulgado este mês pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Apesar de ainda existir um enorme contingente de professores que não passaram pela universidade – eram mais de 530 mil em 2011 – o quadro apresenta melhora. Em 2007, os profissionais de nível médio eram mais de 30% do total, segundo mostra o censo. Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, os números são mais um indicativo de que o magistério não é uma carreira atraente.
“Isso mostra que as pessoas estão indo lecionar como última opção de carreira profissional. Poucos profissionais bem preparados se dedicam ao magistério por vocação, uma vez que a carreira não aponta para uma boa perspectiva de futuro. Os salários são baixo, e as condições de trabalho ruins”, explica.
A maior proporção de profissionais sem formação de nível superior está na educação infantil. Nas salas de aula da creche e pré-escola, eles são 43,1% do total. Nos primeiros anos do ensino fundamental (1º ao 5º ano), 31,8% não têm diploma universitário, percentual que cai para 15,8% nos anos finais (6° ao 9º ano). No ensino médio, os profissionais sem titulação são minoria: apenas 5,9%.
Para a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, é um “grande equívoco pedagógico” colocar os professores menos preparados para atender as crianças mais novas. “No mundo inteiro é exatamente o contrário, quem trabalha na primeira infância tem maior titulação. Quando o professor entra na rede vai para a educação infantil quase como que um 'castigo' porque ela não é considerada importante. Mas, na verdade, se a criança começa bem sua trajetória escolar, as coisas serão bem mais tranquilas lá na frente”, pondera.
Segundo Cleuza, o nível de formação dos professores varia muito nas redes de ensino do país. Enquanto em algumas cidades quase todos os profissionais passaram pela universidade, em outras regiões o percentual de professores que só têm nível médio é superior à média nacional. “Temos, às vezes, uma concentração maior de professores sem titulação em alguns locais do Brasil, como a Região Norte, por exemplo, onde as distâncias e as dificuldades de acesso impedem que o professor melhore sua formação”, aponta.
O resumo técnico do Censo Escolar também destaca que em 2010 havia mais de 380 mil profissionais do magistério matriculados em cursos superiores – metade deles estudava pedagogia. Isso seria um indicativo de que há um esforço da categoria para aprimorar sua formação. Mas o presidente da CNTE ainda considera “muito alto” o número de professores sem diploma universitário, especialmente porque nos últimos anos foram ampliados os estímulos para formação de professores nas instituições públicas e privadas de ensino superior.
Uma das alternativas para quem já atua em sala de aula e quer aprimorar a formação é a modalidade do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para licenciaturas. O programa paga as mensalidades de um curso em faculdade particular e depois da formatura o estudante pode abater sua dívida se trabalhar em escolas da rede pública – cada mês em serviço abate 1% do valor.
“Os programas são oferecidos, mas as condições não são dadas aos professores para que eles participem. O professor não tem, por exemplo, a dispensa do trabalho nos dias em que ele precisa assistir às aulas. As prefeituras e governos estaduais que deveriam ser os primeiros interessados acabam não estimulando o aprimoramento”, diz Roberto Leão.
Edição: Talita Cavalcante

E aí Anastasia? Qual a sua participação nisso?

28.4.12

Termo de Ajuste de Gestão do Governador burla Norma Constitucional para não cumprir repasse de recursos para Educação e Saúde


O Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou, por unanimidade, no dia 25/4, um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) com o Governador do Estado – Antônio Augusto Anastasia, prevendo a adequação gradual da aplicação dos recursos com manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde até o ano de 2014.
De acordo com o novo instrumento, o governo do Estado compromete-se a alcançar os índices mínimos constitucionais, de 25% da receita corrente líquida na aplicação na manutenção do ensino e de 12% em ações e serviços públicos da saúde, até o exercício de 2014.
O instrumento aprovado apresenta uma tabela de progressão que indica os índices de investimentos na saúde:
Setor/ano201220132014
Saúde pública9,68%10,84%12%

Na área da educação, os índices ajustados são:
Setor/ano201220132014
Educação22,82%23,91%25%

O Termo de Ajuste de Gestão com o governo mineiro não passa de uma confissão do não cumprimento da Constituição e das Leis que a regulamentam. Fica explícito que o Governo do Estado não cumpre sua obrigação com a Educação e a Saúde, e que o TCE sequer, cumprindo suas funções constitucionais, cobra que ele faça isso. Ao contrário, aceita firmar um Termo de Ajuste de Gestão para burlar a Lei e a Constituição.
O Líder da Oposição na Assembleia de Minas, Deputado Rogério Correia (PT), denuncia o descaso e a falta de compromisso do governo estadual com a educação e a saúde em nosso Estado, e anuncia o estudo de medidas quanto a esse desrespeito.
Como primeira medida, o líder do PT, Rogério Correia, o líder da minoria, Pompilio Canavez (PT) e o Líder do PMDB, Deputado Sávio Souza Cruz, estão protocolando um requerimento, solicitando a realização de uma audiência pública com a presença dos sindicatos dos setores envolvidos, Ministério Público, Tribunal de Contas e do próprio governador, Antônio Anastasia. Segundo o Deputado Rogério Correia, também há possibilidade de entrar com uma Ação de Inconstitucionalidade.
Segundo a Constituição da República de 1988, art. 212 e Lei da Responsabilidade Fiscal, art. 25 , § 1º , inc. IV , al. B, fica estabelecida a aplicação de 25% dos recursos orçamentários do Estado para aplicação nas áreas de educação e saúde. Além disso, foi regulamentada no início do ano, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a Emenda 29, que determina a aplicação, na saúde, de no mínimo 12% da arrecadação de impostos dos Estados no setor de saúde.

25.4.12

100 anos...


21.4.12

Governo de Minas quer acabar com a Educação no Estado


Vista parcial da quadra poliesportiva da
EE. Salvador Filpi - M. Claros - MG

Ao que tudo indica o título bem que traduz o que está acontecendo com o setor de educação de nosso Estado. Aqui em Minas Gerais, o Governo embora não declara, escolheu a categoria dos profissionais do setor como verdadeiros inimigos.

Nas escolas uma verdadeira calamidade toma conta do dia-a-dia de funcionários e alunos. Faltam carteiras para alunos; falta material didático; computadores se tornam obsoletos em salas por falta de uso, uma vez que a burocracia impede a participação de professores e alunos com os mesmos.
Bibliotecas, não passam de depósito de livros sem nenhum tipo de tratamento contra fungos e ácaros, o que deixa o acanhado espaço totalmente insalubre, sendo o grande causador e agravador de problemas respiratórios. Isso sem levar em conta que a maioria dos profissionais destinados à servirem como bibliotecários, são profissionais em ajustamento de função, doentes, e sem uma preparação para exercer a função.
Diante disso, conclui-se que este setor que deveria servir para agregar conhecimento aos nossos alunos e também a nós professores, está se tornando um depósito de doenças e de doentes. Alunos dificilmente procuram a biblioteca, pois ali lhes faltam conforto, espaço e até mesmo silêncio para uma leitura, já que sala de leitura é artigo de luxo e são pouquíssimas escolas que possui.

A propaganda enganosa tem camuflado todo o ambiente adverso que se instalou nas escolas públicas do estado de Minas Gerais. Enquanto não se tem verba para uma folha de papel para um teste escrito com o aluno, verba especial é distribuída a todos os educandários para fazer cópias de “carta do Governo” à comunidade escolar, na qual o mesmo se promove graças aos resultados obtidos em avaliações externas como Olímpiadas de Matemática, Simave, Provinha Brasil, etc.
Os resultados  positivos até então obtidos por nossos alunos, só Deus sabe o quanto nos custa: são sacrifícios que vão desde a encenarmos uma fisionomia de felicidade até não deixar que os mesmos percebam o quanto tem sido negligente, maldoso este (des) governo para com toda a comunidade escolar.

A revolta entre os profissionais vem crescendo a cada dia que passa. Pois a todo o momento a gente percebe um tipo de perseguição que não perdoa nenhum servidor.  Funcionários doentes são “amontoados” nos mais diversos departamentos das escolas em ajustamentofuncional, para exercer a função de um titular ainda que sem nenhuma capacitação para seu fiel desempenho; servidores com direito às férias prêmio vêm seus direitos vetados e sem nenhuma perspectiva de que vá gozá-las um dia, sendo que já faz algum tempo que esse direito era concedido apenas àqueles que estariam nos dias de se aposentarem, agora, nem isso.

Outro fato que gera revolta entre os servidores, é a disposição que este desgoverno tem em cumprir uma Lei Federal quando a mesma seja contrária aos anseios dos profissionais e a contundência que o mesmo rechaça uma Lei  Maior quando a mesma vem atender aos interesses de uma categoria. Exemplo disso, eu cito aqui rapidamente a insistência do governo em fazer manobras e mais manobras para burlar a Lei 11.738/2008 que obriga Estados e Municípios a pagarem um Piso Salarial aos professores, inclusive se reunindo com outros governadores, Deputados e Senadores no sentido de não cumprir aquilo que está aprovado. Por outro lado, a população brasileira viu de forma estarrecedora  o excesso de obediência em cumprir uma Lei que afirma que merenda escolar é dos alunos e não de professores, proibindo-os de merendarem com seus alunos, inclusive, segundo informações, colocando “fiscais” para verificar se não havia nenhum professor comendo da merenda das crianças, e fazendo ameaças às diretoras de escolas  que desobedecessem.

Um bom número de professores que trabalham na rede pública estadual, também tem cargo na rede municipal de vários municípios. Em alguns o cumprimento da Lei 11.738/08 ainda engatinha, enquanto em outros já avança de forma a perder o estado de vista pelo “retrovisor”, como é o caso de Montes Claros onde os profissionais têm demonstrado felicidade e orgulho ao dizerem aos quatros ventos que o Prefeito já cumpre com a Lei do Piso Salarial Nacional dos Professores, bem como já exibem os computadores portáteis distribuídos pela Secretária Municipal de Educação a cada um dos professores juntamente com os alunos da rede municipal.

Quanto ao projeto pedagógico, cabe uma reflexão muito maior, pois é através dele que o Governo solta toda sua maldade,não apenas contra professores, mas contra gente inocente, mutilando intelectualmente centenas ou milhares de jovens com “projetos” que não passam de uma mera "liquidação" aos moldes dos supermercados em suas sessões de hortifrutigranjeiros.

São muitos os projetos que consumiram altos investimentos  e que  nada de positivo produziu. Dentre alguns podemos aqui citar o Raízes e Asas; Acertando o Passo; A Caminho da Cidadania, e por último o terror conhecido apenas como PAVE, sendo este um desastre total, levando alunos sem ao menos, (em muitos casos) serem alfabetizados ao Ensino Médio e os “atraindo” a permanecerem até concluir o grau com uma bolsa de R$1000,00 por ano com direito a um saque de R$100,00 por ano e um saque de R$3000,00 ao final do curso, lembrando, que é, ainda que não conste na Lei, é proibido a reprovação, ficando isso apenas como orientações verbais que se não cumpridas recaem como punições nas avaliações de desempenho tanto dos professores como também dos diretores.

19.4.12

Integrante do MST tenta atear fogo na Câmara Municipal de São Francisco

A Polícia Militar prendeu na tarde de hoje, 19, em São Francisco, Daniel Barbosa de Jesus, flagrado ateando fogo em cadeiras da Câmara Municipal do município.A ocorrência iniciou por volta das 12h, quando a Polícia Militar recebeu informações que um grupo de manifestantes do Movimento Sem Terra estaria na MGT 402, à margem do Rio São Francisco, e teria interditado a referida rodovia, impedindo as atividades da balsa.Enquanto transcorria a manifestação dos integrantes do MST, a Polícia Militar recebeu informações que um indivíduo estaria na Câmara Municipal daquela cidade, e estaria ateando fogo naquele órgão público.A Polícia Militar compareceu ao local, onde o autor, Daniel Barbosa de Jesus, ainda em flagrante, foi preso e identificado como sendo um dos líderes do MST que in vadiram a Fazenda Caldeirões no ano passado (2011).  Ainda segundo levantamentos, a estratégia era chamar a atenção da Polícia Militar para a manifestação na balsa enquanto o autor colocaria fogo em toda a Câmara Municipal. A estratégia não funcionou adequadamente devido a tática desenvolvida pelo comando local, ocorrendo a prisão do autor ainda no interior daquele Órgão público, sendo o local isolado e acionada a Perícia Técnica.
Fonte; Mural do portal montesclaros.com

13.4.12

Trio é suspeito de matar oito mulheres e fazer salgados com carne humana em Pernambuco






Três pessoas acusadas de pelo menos oito assassinatos em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte são investigadas por usar a carne das vítimas em salgados.
Além dos homicídios cometidos contra mulheres, os suspeitos Jorge Negromonte, Isabel Pereira e Bruna Cristina de Oliveira da Silva revelaram que a carne das vítimas era ingerida pelos adultos e pela criança raptada pelo trio - que chegou a consumir a carne da própria mãe - e servia para o preparo de alimentos vendidos em Garanhuns (PE). Sem saber, moradores da cidade pernambucana teriam praticado canibalismo.
Os suspeitos contaram que parte da carne das vítimas era desfiada e transformada em salgados, como coxinhas e empadas, para serem vendidos pelas ruas. Carnes humanas temperadas, teriam sido encontradas em um freezer na residência do grupo e levadas por populares que invadiram a casa na tarde da quarta-feira passada. Testemunhas disseram já ter visto e até comprado a comida sem saber que se tratava de restos mortais.
Os crimes foram praticados em Garanhuns, Recife e Olinda (PE) e ainda na Paraíba e Rio Grande do Norte. O inquérito ainda não foi concluído, mas o trio deve ser indiciado pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, sequestro, falsidade ideológica e estelionato.
Extraído do portal O diário.com

Aluno tenta matar professora com uma faca de cozinha

Aluno não gosta de ser repreendido e tenta matar professora por duas vezes em distrito de Mariana

Idindignado com o fato de ter sido repreendido na frente dos colegas de escola, um adolescente de 17 anos tentou matar a sua professora no distrito de Cláudio Manoel, que fica a 50 km do centro de Mariana, na região Central de Minas Gerais. O caso foi registrado na Escola Municipal Padre Antônio Gabriel Carvalho, nessa quinta-feira (12).
De acordo com a Polícia Militar da cidade, o aluno entrou gritando na sala de aula, quando a educadora pediu para que ele falasse baixo. Porém, o garoto não gostou da correção e gritou vários palavrões na intenção de ofender a professora, de 51 anos. Devido à reação do aluno, a educadora pediu para que o adolescente saísse de sala, mas ele não respeitou a ordem. Em seguida, o garoto se dirigiu até à sua carteira, abaixou e pegou uma faca, que estava escondida dentro da sua mochila. De posse da arma branca, o aluno andou em direção à professora e tentou agredi-la. No entanto, o adolescente foi contido por funcionários e alunos da instituição de ensino.
Devido ao mau comportamento do garoto, a professora ligou para os pais dele e representantes da escola o levaram em casa. No imóvel, o pai do adolescente o questionou sobre o ocorrido e disse que iria castigá-lo. Com a ameaça do pai, o garoto pegou uma faca na cozinha de casa de 20 cm e voltou ao local onde estuda, depois de ter dito ao familiar que "se havia começado, iria terminar com o serviço”.
Na escola, a professora viu o garoto passando perto da entrada, quando correu e se escondeu na sala da diretora. Entretanto, o aluno viu a educadora correndo e foi atrás dela. Assustada, a professora fechou a porta e colocou uma mesa na tentativa de impedir a entrada do aluno. Após marcar toda a porta com a faca, o adolescente conseguiu entrar na sala, onde pegou a professora pelo braço e, novamente, a ameaçou de morte. Por sorte, mais uma vez, o agressor foi contido por funcionários da instituição de ensino, que acionaram a polícia. O garoto conseguiu fugir em direção a um matagal, mas foi apreendido.
Durante depoimento, o adolescente alegou que ficou com muita raiva por ter sido repreendido na frente dos colegas.
A professora não sofreu ferimentos, mas ficou abalada emocionalmente e precisou ser levada até ao hospital municipal da cidade. A educadora recebeu atendimento médico e foi liberada.
Conforme a PM, o adolescente não tinha antecedentes criminais. As duas facas foram apreendidas.
Durante a manhã desta sexta-feira (13), a direção da instituição de ensino e a secretária de Educação na Prefeitura de Mariana, Dulce Maria Pereira, participam de uma reunião para decidirem juntos quais medidas serão tomadas em relação ao caso. Conforme a assessoria de imprensa da secretaria, o resultado do encontro será divulgado por meio de nota.
Extraído do portal O Tempo

Aluno de 14 anos estupra secretária de escola pública no sul de Minas

Uma funcionária pública municipal, de 23 anos, que trabalha como secretária em uma escola de Borda da Mata, no Sul de Minas, foi estuprada por um estudante da instituição de ensino, de 14 anos.

Segundo militares da cidade, a mulher, que procurou a polícia na quarta-feira (11), contou que na terça (10) estava voltando para casa, no Bairro São Joaquim, quando foi abordada pelo adolescente em uma estrada de pouca movimentação. Ele a agrediu, a ameaçou com uma faca e a obrigou a manter relações sexuais com ele.

O adolescente, que não tinha nenhum delito registrado na polícia, foi apreendido em flagrante e encaminhado para uma delegacia da cidade para prestar esclarecimentos. A secretária foi encaminhada para um hospital, onde passou por exames para comprovar o crime.

O Conselho Tutelar da cidade vai acompanhar o caso.
fonte: portal o tempo

1.4.12

Lendas e Mitos da Semana Santa

Por Luis Felipe
Embora para a maioria das pessoas a Semana Santa esteja reduzida hoje apenas a uma série de solenidades litúrgicas, ela já teve seu tempo de tradições folclóricas, que ainda é vivido em alguns lugares do interior, com aparecimento de assombrações e com a revelação de mitos, lendas e fantasmas. A Semana Santa folclórica e tradicional de outros tempos é mostrada hoje, em parte.
A quarta-feira
A quarta-feira era "quarta-feira endoenças". As mães ensinavam aos filhos que Cristo estava doente pra morrer e que se devia respeitar o dia. Briga era proibido. Quem brigasse, estava brigando com o Cristo. Além do mais, a mula sem cabeça estava solta no mundo.
De uma igreja saía um cortejo, com a imagem de Maria, e de outra saía a do Cristo, carregando a cruz.
Não se tocava sino. Só matraca.
O encontro dos dois cortejos se dava em um lugar pré-fixado e onde um padre fazia o sermão do encontro.
Depois, as duas imagens juntas, o cortejo se unificava e seguia para a matriz. De tempos em tempos, a Verônica cantava. À medida que ia abrindo o véu, com a face de Cristo estampada a sangue, a Verônica cantava:
"O vos omnes qui transistis per viam
Videte si est dolor sicuti dolor meus
"
E o coro respondia, num lamento:
"Miserere... Miserere... Jesus".
Quanto mais escura a noite, para procissão melhor. Também a terra estava de luto: apenas velas e tochas iluminavam o caminho.
Quinta-feira
Na quinta-feira começava o luto completo que durava até depois das Aleluias. Durante a semana toda, a igreja já ficava cheia de pessoas, mas na quinta-feira, especialmente. Nas casas de famílias, tudo mudava também. "Porque nosso Senhor estava doente" não se varria a casa, os escravos não trabalhavam, os meninos não faziam bulha. Os castigos e correções eram abolidos. Falava-se baixinho, jejuava-se, rezava-se...
Os castigos, os puxões de orelha, os petelecos e bolos de palmatória eram empregados para quando rompesse as Aleluias.
Era dia de confissão geral e os escravos todos eram obrigados a ir "buscar perdão dos seus pecados, pra não ir parar no inferno até o fim do ano".
As mucamas aprendiam e ensinavam para os "sinhôs e sinhazinhas" que não confessar na semana final "levava pro inferno até o fim do ano".
Na quinta-feira também se assistia ao ofício da Paixão. Tudo no mais respeitoso silêncio. Apenas a matraca soava na sacristia e no ofício, no meio dele, no momento em que as velas se pagavam todas, batia-se nos livros, produzindo um ruído fantasmagórico.
Antes, porém, ainda existia glória e pompa na missa de Sagração dos Santos Óleos e o Lava-Pés.
"No interior de Minas, era tradicional a briga entre os meninos coroinhas e sacristãos, pra ver quem 'virava apóstolo e ia ter seus pés lavados pelo padre'... As mães, que tinham seus filhos escolhidos, lavavam bem antes os pés do filho, não fosse o padre descobrir algum cheirinho meio sem graça".
Mas era compensador. Além do pãozinho que cada um recebia, depois do Lava-Pés, os meninos costumavam ganhar também um envelope, sempre com algum "dinheirinho por dentro".
Mas era o luto a coisa mais importante na quinta-feira santa. As bandeiras eram cingidas de um crepe negro e, em certas irmandades, havia gente que colocava um símbolo negro sobre a roupa: Cristo estava morrendo.
No meio da noite de quinta para sexta-feira, meninos, com matracas nas mãos, percorriam as ruas, batendo a madeira e lembrando que o Cristo "estava doente".
Sexta-feira
Na sexta-feira, o Cristo morria e naqueles tempos morria mesmo de verdade. O povo sentia e vivia a sua morte, como se tivesse morrido alguém da família, um pai ou a mãe.
No ofício do desnudamento da cruz, o povo chorava. E vinha, como o celebrante, deitar-se em frente à cruz e beijar o pé do Cristo morto. Sermão das sete palavras, em Minas, não havia quem perdesse. "Era pecado moral não ir".
As mãe levavam os filhos, recomendando que não fizessem barulho. "Olha o Deus", diziam todos.
E igrejas cheias, o povo suando, o orador procurava se superar. Sermão das sete palavras não era qualquer um que fizesse. Em tons trágicos, grandiloquentes e solenes, procurava pintar a tragédia da morte do Cristo. E o povo, calado, chorando baixinho, acompanhava as palavras, sentindo a sede do Cristo e o desamparo do filho de Deus.
Na sexta-feira era permitido chorar. O único dia em que se permitia chorar à vontade.
E depois vinha a procissão do enterro. Carregado por homens das "irmandades", o cadáver do Cristo era levado pelas ruas das cidades, aos sons da matraca, marchas fúnebres das "bandas paroquiais" e ritmadas pelo monótono e arrastado refrão popular das canções de enterro.
"Pecador, agora é tempo
de contrição e de temor
Segue a Deus, despreze o mundo
Já não sejas pecador
Com longos mantos e capuzes brancos, iam José de Arimatéia, Nicodemos e mais o "Farricoco". Eram os homens que tinham descido o Cristo da cruz e iam agora sepultá-lo.
Atrás vinham Maria, mãe de Jesus, a Verônica, as "Marias Beú" e Madalena.
Depois, os apóstolos. Cabeças baixas, caminhando devagar, sem trocar uma palavra.
Em alguns lugares, cidades maiores e mais antigas, vinham também os soldados romanos, de capacetes e espadas na cinta, chefiados por um centurião de penacho, e às vezes, até profetas e anjinhos.
De tempos em tempos, as Marias se adiantavam e cantavam em voz lúgubre e triste: "Behu, behu..."
A imagem de Nossa Senhora também comparecia ao enterro nos ombros dos confrades (...).
A banda ia no fim.
Depois do enterro, a imagem do Cristo ficava no adro central da igreja, como num catafalco, e o povo ia lá beijar os seus pés e aproveitar para "medir o Cristo".
Levavam cordões e fitas coloridas do tamanho do rosto de Cristo, das mãos de Cristo, dos pés de Cristo, do pescoço, dos braços, etc... Quando mais tarde, qualquer pessoa da família sentisse dor no pescoço ou nos braços, bastava aplicar o cordão no lugar. A dor cessava no mesmo instante.
De noite era luto nacional. Não se saía de casa, pois o mundo estava entregue ao demônio e seus anjos. Deus estava morto: tudo era proibido.
Sábado de Aleluia
O sábado de Aleluia era comemorado cedo. Até meio-dia, ainda o luto pelo Cristo continuava em todas as casas. Ninguém falava. Mas quando chegava o meio-dia, era a hora das aleluias. Neste exato momento, segundo a tradição popular, do lado aberto de Cristo saía três gotas de sangue.
O Cristo ainda não ressuscitara e as gotas de sangue caíam dentro do sepulcro. Mesmo assim, contudo, era hora da Aleluia. Marido batia na mulher. Mulher batia no marido. E os dois juntos corriam atrás dos meninos. Era o desconto das molequices do ano todo, das desobediências, que deveriam ser pagas naquele momento, em desagravo do sangue de Cristo derramado. E os meninos que tratassem de correr, "porque a coça era mesmo pra valer".
Também na rua, quem se encontrava ia tratando logo de "tirar as Aleluias" em cima dos amigos e conhecidos. E não adiantava discutir.
A Aleluia, porém, só durava uma hora. A uma da tarde, o luto voltava a imperar e que ninguém viesse tirar a Aleluia, porque "estaria batendo no corpo de Cristo".
O luto ia até a missa da meia-noite. Missa solene. Com o povo acendendo velas na Grande Vela da Páscoa. Era o fogo novo, sinal de que Cristo tinha ressuscitado. Na missa da meia-noite também os homens, mulheres e crianças comungavam, fazendo a Páscoa.
Depois que o padre cantava o "Aleluia, aleluia, aleluia", existia a procissão da ressurreição, com uma imagem de Cristo empunhando uma bandeirinha branca, sendo levado pelas ruas da cidade.
Acabara a Semana Santa e a quaresma em muitos lugares, o resto da noite era terminado com um bom baile, quase sempre com a bênção do vigário.



Os mitos

A quaresma, para o brasileiro e especialmente para o mineiro, foi sempre uma época de mitos e fantásticos personagens. O mais conhecido é a mula sem cabeça.
Segundo as lendas, a mula sem cabeça é uma mulher que devora cadáveres nos cemitérios ou se alimenta de sangue humano. Nas noites de sexta-feira da quaresma e durante toda a Semana Santa, a mula sem cabeça fica solta, podendo correr pelos campos e por cima dos montes e, às vezes, até mesmo dentro das cidades. E que ninguém veja a mula, pois se ver e ficar olhando, vira tantã.
Perna fina
O perna fina é uma crença da região norte de Minas. É alto, magro, careca, de pernas longas e finas e que amedronta os viajantes pelas estradas. Quem viaja na Sexta-Feira Santa sempre avista o perna fina. Anda descalço e traja um velho terno branco, mirrado e encolhido, com as calças que vão pouco baixo dos joelhos. Costuma parar nas estradas, com os braços levantados e as pernas finas abertas, formando uma cruz com o corpo. O perna fina é o "sombração" de uma pessoa que morreu, devendo cumprir juramentos que não foram cumpridos em vida. Por cem anos, o fantasma tem de "penar pela terra", antes de ser julgado de novo por Deus.

O lenhador fantasma
Dizem os crentes que é a alma penada de um lenhador que trabalhou numa Sexta-Feira da Paixão. Por isso, é obrigado por Deus a trabalhar todas as Semanas Santas, durante muitos anos, sem poder dar descanso à sua alma.

Corpo seco
Vira corpo seco quem foi malvado em vida e seviciou a própria mãe. Ao morrer, a terra não o recebe, os abutres não o comem, os vermes não o destroem, e "um dia, mirrado, defecado, com a pele engelhada sobre os ossos, se levanta da tumba, vagando e assombrando os viventes nas caladas da noite, principalmente em noites de Sexta-Feira Santa e da quaresma".

O lobisomem

Apesar de ser conhecido também em outras partes do mundo, o lobisomem brasileiro é diferente um pouco dos de outra nacionalidade. No Brasil, o lobisomem é um homem pálido, macilento, de aspecto doentio e que por ser filho de incesto ou por ter nascido depois de uma série de sete filhas, é condenado pelo destino a virar lobo, cachorro, bezerro ou porco, em dias e horas determinadas (geralmente às terças e sextas-feiras, de meia-noite às duas horas da madrugada e principalmente na Semana Santa e quaresma). No começo de sua vida, contudo,os predestinados não se tornam lobisomem. Só depois que encontram um lugar onde se espojou um animal. Daí por diante, todas as terças e sextas-feiras, de meia-noite às duas horas da madrugada, têm que fazer suas corridas: visitar sete cemitérios, sete outeiros, sete encruzilhadas, sete igrejas, para voltar a ter forma humana.

A missa negra                         
É rezada na noite de Sexta-Feira Santa por feiticeiros. Qualquer coisa que se pedisse naquela missa era conseguida de qualquer forma. Só que em vez de Cristo, o invocado na missa negra é o diabo que está mandando na terra, depois que Cristo morreu. Na missa negra, o mal desejado ao próximo era conseguido. Até a1928, ainda se conhecem histórias de missas negras de Sexta-Feira Santa no Brasil, entre feiticeiros. Depois acabou. 

A procissão dos mortos
Na noite de Sexta-Feira Santa, muita gente chegou a ver, segundo a tradição, a fantástica procissão dos mortos que saía dos cemitérios, todos vestidos de branco, saudando o aparecimento do Cristo entre eles, tal como aconteceu depois que Jesus morreu no Monte Calvário e que centenas de mortos ressuscitaram. Dizem que só vê a procissão dos mortos quem sai à noite de Sexta-Feira Santa para fazer farra.
(Felipe, Carlos. "Mitos e lendas da Semana Santa". Diário de Minas. Belo Horizonte, 15 de abril de 1965, segundo caderno, p.1)

Os dias da Semana Santa e seu significado



Catedral de Nossa Senhora Aparecida em
Montes Claros - MG.
A Semana Santa reserva até o domingo de Páscoa várias celebrações. Nesta terça-feira (19), por exemplo, os católicos participam da procissão do encontro, que é a representação do encontro de Maria com Jesus. Agora, você sabe o que significa cada dia da Semana Santa e quais as celebrações realizadas em todos os dias?
Quarta-feira Santa
É o 4º dia da Semana Santa. Encerra-se na Quarta-feira Santa o período quaresmal. Em algumas igrejas, celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebram o ofício das trevas, lembrando que o mundo já estava em trevas quando da proximidade da morte de Jesus Cristo.
Quinta-feira da Ceia
É o 5º dia da Semana Santa. Neste dia é relembrada especialmente a última ceia. É também celebrada a missa de lava-pés, onde se relembra o gesto de humildade que Jesus realizou lavando os pés de seus 12 discípulos e comendo com eles a ceia derradeira. É neste momento que Judas Iscariotes sai correndo e vai entregar Jesus por 30 moedas de prata. É nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado.
A Igreja fica em vigília ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos começados por Jesus nesta noite. A Igreja já se reveste de luto e tristeza desnudando os altares, quando é retirado todos os enfeites, toalhas, flores, velas, tudo para simbolizar que Jesus está preso e consciente do que vai acontecer. Neste dia, cobre-se todas as imagens existentes no templo, pois a Igreja entra em luto pela véspera da morte.
Igreja Matriz de N. Senhora e São José -
Montes Claros - Minas Gerais
Sexta-feira Santa
É quando a Igreja recorda a morte do salvador. É celebrada a solene ação litúrgica, paixão e adoração da cruz. A celebração da morte de Jesus consiste, resumidamente, na adoração de Cristo crucificado, precedida por uma liturgia da palavra e seguida pela comunhão eucarística dos participantes. Presidida por um padre, presbítero ou bispo, paramentado como para a missa, de cor vermelha.
Sábado Santo
Também era chamado de Sábado de Aleluia. É o dia antes da Páscoa no calendário de feriados religiosos do Cristianismo.
Domingo de Páscoa
É o dia da ressureição de Jesus e as comemorações mais importantes do Cristianismo, que celebra a vida, o amor e a misericórdia de Deus.