13.9.14

Beatriz Cerqueira: Novos coronéis da política de MG querem calar educadores

publicado em 12 de setembro de 2014 às 0:11
beatrizcerqueira
Os novos coronéis da política mineira querem calar os educadores mineiros
por Beatriz Cerqueira*, via e-mail
Minas Gerais é realmente um estado de exceções. Por aqui, os poderes da República, que deveriam zelar pelos interesses públicos, zelam pelos interesses do grupo político que comanda o Estado.
São poucos os promotores de justiça que atuam com autonomia e defendem os interesses da população. O Tribunal de Contas do Estado firmou acordo para que o Governo tivesse um “prazo” para cumprir a Constituição Federal e investir o mínimo de 25% de impostos em educação. Lembrando que a Constituição é de 1988 e o acordo foi firmado em 2012.
A Assembleia Legislativa, por diversas vezes, abriu mão da sua prerrogativa de legislar e, a cada início de mandato, outorga ao Governador o direito de fazer leis, através das leis delegadas. O escândalo do helicóptero de um deputado estadual e a entrega do Mineirão à iniciativa privada foram ignorados pela Casa.
O grande investimento de recursos públicos em campanhas publicitárias e a mão de ferro que acompanha o cotidiano das redações impedem que a imprensa mineira divulgue os problemas que o Estado enfrenta, como também impediu, nos últimos 12 anos, que qualquer crítica à gestão do choque de gestão fosse feita. O aeroporto em Cláudio existe há muito tempo, mas somente em 2014 a situação se tornou pública.
E mesmo o Brasil sabendo o que acontece por aqui, o atual grupo político que comanda o Estado insiste na política da mordaça. Há anos o Sind-UTE/ MG, Sindicato que representa os trabalhadores em educação da rede estadual, utiliza mídia paga para dialogar com a comunidade escolar.
A estratégia é necessária em função do comprometimento da maioria dos donos dos meios de comunicação com o governo, que não veiculam críticas ao Executivo Estadual. E a exemplo do que fizemos em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, elaboramos este ano, peças para fazer este diálogo.
Por sua vez, a estratégia do Governo do Estado e do seu candidato à sucessão, foi tentar transformar o debate por uma educação pública, que é o que o Sindicato faz, numa agenda eleitoral, nos acusando de propaganda eleitoral negativa.
Até o início de setembro foram nove representações contra a entidade. E, para a vergonha dos mineiros, o Tribunal Regional Eleitoral, adotou a tese, concordando com a tentativa de calar a categoria durante as eleições.
Como é possível que, no período eleitoral, não se possa questionar, criticar, dizer sobre as condições da escola pública?
Querem nos colocar num lugar de invisibilidade, anulando o nosso papel de dizer as reais condições em que se encontram as escolas e seus profissionais. Como fica o debate democrático, se a população é impedida de conhecer a realidade?
É isso que o Tribunal Regional Eleitoral quer impor aos educadores mineiros: que fiquemos calados, que não critiquemos, que não demos a nossa opinião. Com essa prática prevalece a velha política do coronelismo: política é coisa para os profissionais, não para o trabalhador.
Como um candidato que não consegue lidar com a crítica, com o pensamento divergente, quer ser governador?
No século XXI é impossível o pensamento hegemônico, o monopólio da fala e das ideias, não cabe mais o monólogo, o controle do pensamento.
Isso foi enterrado quando Hitler perdeu a 2ª Guerra Mundial. Não podemos permitir o surgimento de novos tiranos! Por tudo isso e por uma educação de qualidade persistimos!
*Beatriz da Silva Cerqueira, professora, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG
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Aécio, governo de Minas e PSDB querem censurar as/os Educadoras/es na Justiça
O governo de Minas Gerais e a coligação encabeçada pelo PSDB entraram com uma ação para proibir qualquer manifestação que tenha como pauta mostrar ao povo mineiro a realidade da péssima gestão na educação no Estado
por Vagner Freitas, presidente Nacional da CUT, enviado por Marize Muniz, por e-mail
Ser trabalhador na educação em Minas Gerais não é fácil. Além de enfrentar as más condições de trabalho, os baixos salários e a fragilidade do projeto educacional, a categoria enfrenta a censura.
Em Minas é proibido falar a verdade. Só se está autorizado a falar bem do governo. E quem ousar desrespeitar os novos coronéis da política mineira é censurado como eles fizeram com a imprensa local.
A mais recente tentativa do governo mineiro, aliado de Aécio Neves, candidato tucano a sucessão presidencial pelo PSDB, é calar as/os trabalhadoras/res da Educação na Justiça.
O governo estadual e a coligação encabeçada pelo PSDB entraram com uma ação para proibir qualquer manifestação que tenha como pauta mostrar ao povo mineiro a realidade da péssima gestão na educação no Estado.
“A tentativa de censurar os trabalhadores em educação demonstra a forma como fomos tratados nos últimos anos: a mordaça como pedagogia do medo, enquanto se destrói a escola pública mineira”, Beatriz da Silva Cerqueira, presidente do Sind-UTE/MG, Sindicatos dos Trabalhadores em Educação no Estado de Minas Gerais, e uma das líderes na luta por educação de qualidade no Estado e no Brasil.
Bia, como é conhecida, além de presidir o Sind-UTE/MG, é a presidente da CUT-MG, fato que muito nos orgulha, pois trata-se de uma liderança destemida e reconhecida em todo o Estado.
Vejam alguns exemplos da falta de respeito do governo de Minas com a Educação e seus profissionais que os tucanos querem impedir o povo de saber:
1 – O Programa Jovem atende apenas nove municípios;
2 – Faltam 1.010.491 de vagas no Ensino Médio;
3 – Somente 35% das crianças mineiras conseguem vaga na Educação Infantil;
4 – O governo não tem política preventiva à violência nas escolas. Professores são agredidos, alunos assassinados e nada é feito para impedir;
5 – O próprio programa Fica Vivo não diminuiu a violência entre os jovens. A taxa de homicídio aumentou 80% de 2001 a 2011 em Minas;
6 – Os professores não têm autonomia para avaliar o processo de aprendizagem dos alunos. O governo IMPÕE aprovação automática;
7 – O Governo de Minas NÃO paga o Piso Salarial Profissional Nacional aos profissionais do Magistério, conforme Lei Federal 11.738/08 e decisão do Supremo Tribunal Federal – STF;
8 – Efetivou, sem concurso, mais de 98 mil servidores, colocando estas pessoas numa situação de fragilidade jurídica;
9 – Congelou a carreira de todos os trabalhadores em educação até dezembro de 2015;
10 – O que mais incomoda os tucanos mineiros é a possibilidade de a população ser informada e lembrada dos problemas nas escolas mineira em pleno processo eleitoral. Qual é o medo?
Educar, informar, organizar as trabalhadoras e trabalhadores de Minas Gerais e do Brasil faz parte da missão dos professores e dos demais trabalhadores.
A CUT não vai permitir que as/os trabalhadoras/es na Educação de Minas sejam censurados.
Todo apoio ao Sind-UTE/MG!
Toda solidariedade à professora Bia!
PS do Viomundo: Nossas perguntas são simples. Já imaginaram se fosse um político do PT a processar tuiteiros? A mover ações pessoais contra dirigentes de um sindicato, o que está acontecendo neste caso? Seria ou não manchete todos os dias no Jornal Nacional?
 
Choque de gestão em Montezuma, o mini-doc do Viomundo
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